Como trabalhar com clientes estrangeiros

Como trabalhar com clientes estrangeiros

A Assistência Virtual em Portugal está a crescer a olhos vistos e sinto-me honrada por poder fazer parte de todo este movimento!

Quando me tornei assistente virtual no Reino Unido, não imaginava que algo como o DitoFeito pudesse existir – e ser criado por mim!

E hoje somos uma comunidade de pessoas fantásticas, que partilham os seus momentos bons e maus, que se apoiam uns aos outros e que crescem juntos.

É realmente incrível poder assistir a todo este conhecimento.

E este blog é a minha forma de tentar chegar ainda a mais pessoas – chegar até ti – e esclarecer algumas das grandes dúvidas que sei que podes ter.

O tema deste artigo em particular é das questões que mais recorrentemente vejo serem perguntadas em grupos de trabalho remoto, assistentes virtuais, e que também vão surgindo agora no DitoFeito.

E tem que ver com a imensa felicidade que é trabalhar com clientes estrangeiros.

Vamos começar pelo início.

Porque é tão fantástico trabalhar com clientes estrangeiros?

Eu atribuo esse sucesso a duas razões.

A primeira está relacionada com a remuneração.

trabalhar com clientes estrangeiros

Apesar de em Portugal a assistência virtual estar a crescer, ainda há algum estigma acerca da profissão.

É preciso mais informação, mais tempo e mais experiência.

Então acaba por ser recorrente um AV ter de dar “o dobro” de si para fechar um contrato – e com valores remuneratórios adequados ao normal em Portugal.

Já no caso de um cliente no estrangeiro, em particular em países com maior poder económico (como os Estados Unidos ou mesmo o Reino Unido), um AV pode ganhar o dobro e ainda assim ser considerado barato.

A outra razão tem que ver com o reconhecimento e autoridade.

Quase estamos formatados a pensar que “o que está lá fora é que é bom”, eu sei. Mas aqui nem se trata disso!

Qualquer pessoa que se consiga internacionalizar, acaba quase que naturalmente por se tornar alguém que os outros devem seguir.

Será melhor que os outros? Não necessariamente.

Mas vai acabar por se tornar alguém a seguir, alguém que teoricamente se torna mais conhecedor do meio e que pode aconselhar outros para que consigam os mesmos resultados.

Qual delas tem mais peso?

Acredito que seja a primeira. A segunda acaba por ser mais vantajosa para o ego 😉

Como trabalhar com clientes estrangeiros?

Agora sim, vamos lá passar à prática!

Afinal, como é que podes conseguir trabalhar com clientes estrangeiros?

Onde os vais captar? Como vais chegar até eles?

O que vou dizer pode soar demasiado simplista, mas é a mais pura das verdades:

Os clientes estão em locais similares. Se para clientes em Portugal usas o LinkedIn, para estrangeiros também. Se para clientes em Portugal usas grupos no Facebook, para estrangeiros também. Se para Portugal usas websites de empregos, para estrangeiros também.

Não é um bicho de sete cabeças, acredita!

Qual é a principal diferença então?

A abordagem.

Tens de saber falar a língua deles

Óbvio, não é?

Tens de te saber comunicar com eles.

Nota que um cliente estrangeiro pode bem ser um português a viver nos Estados Unidos e que precisa de ti.

Assim tu falas com ele em Português e está tudo bem. Mas é quase certo que também terás de saber falar e escrever em Inglês.

Este é o primeiro ponto – e por mais óbvio que seja, vejo pouca gente a preocupar-se com ele.

Se só “arranhas” o inglês, não te candidates a não ser que saibas que os teus conhecimentos são mais que suficientes.

Outra nota importante é que não basta saber falar para comunicar com eles.

Quando te apresentas sem que te conheçam, é relevante enviar uma proposta na língua deles – especialmente se o teu website ou redes sociais estão todos em Português.

Vais ter de adaptar grande parte de tudo o que tens.

Tens de saber Quanto Custa trabalhar com clientes estrangeiros

Aqui falo dos 2 tipos de custos: finanças e tempo.

Na parte do tempo, não te esqueças que podes ser obrigada a adaptar os teus horários ao fuso horário do teu cliente.

trabalhar com clientes estrangeiros

Pensa nisso antes de te candidatares a um trabalho na Austrália!

O que recomendo é que, sempre que possível, trabalhes em horário livre.

Mas, não sendo possível, tem em consideração o fuso horário dos teus clientes.

Depois de ponderar essa parte, considera também o fuso horário de todos os teus clientes em Portugal e em outras partes do Mundo. Tudo tem de bater certo.

Caso contrário, podes dar por ti a dormir ao final do dia para acordar de madrugada para cumprir todas as tarefas!

Depois, tens também a parte das finanças.

Se ainda estás a começar, provavelmente abriste atividade e trabalhas com recibos verdes.

Para rendimentos até 10.000€ (este valor vai ser atualizado em 2021), estás isento de IVA e retenção na fonte.

No entanto, tens de ter muito cuidado às tuas perspetivas de rendimento para que possas informar todos os teus clientes estrangeiros de potenciais aumentos.

Mais ainda, tens de perceber quantos custos podes vir a ter com transferências bancárias e afins.

Deixa-me dar-te um caso prático, pois de certeza que vai ajudar.

Exemplo 1: Tu és AV em Portugal e conseguiste fechar um contrato com um cliente nos Estados Unidos.

Estás atualmente isenta de IVA e retenção na fonte e pagas apenas segurança social.

Neste caso, tens de cobrar ao teu cliente desta forma:

Valor que quero ganhar + Custos Segurança Social + Custos transferência bancária para receção da remuneração

Ao teu cliente estrangeiro, passas um recibo tal e qual como passarias em Portugal.

Exemplo 2: Tu és AV em Portugal e conseguiste fechar um contrato com um cliente nos Estados Unidos.

Atualmente, pagas IVA, retenção na fonte e segurança social.

Neste caso, tens de cobrar ao teu cliente desta forma:

Valor que quero ganhar + Custos Segurança Social + Retenção na Fonte + IVA + Custos transferência bancária para receção da remuneração

Quem tem de pagar todos os impostos, inclusive o IVA, és tu e não o teu cliente.

Há exceções ao pagamento de IVA, sim. É dos tópicos que tem mais pano para mangas no que respeita a trabalhar com clientes estrangeiros e a faturar o trabalho.

Por isso, como sempre digo, aconselho que contactes sempre um contabilista para que te explique tudo direitinho ainda antes de fechar o contrato.

Tudo o que te digo neste artigo é geral e de foro básico. Não sou contabilista e cada caso é um caso.

Mas, o que queria realmente dizer com isto, é que tens de saber precificar bem para que não acabes com rendimentos baixos.

Tens de saber Como Receber dos Clientes Estrangeiros

Há pouco falei dos custos com transferências bancárias para que possas receber o teu pagamento.

Esses custos vão acabar sempre por existir, de uma forma ou de outra.

Mas é possível contorná-los o mais possível!

Há algumas formas diferentes de receber o que é teu por direito sem pagar demasiadas taxas:

Eu uso maioritariamente o TransferWise. Funciona muito bem e permite-me evitar as taxas do PayPal (outro serviço que também uso).

Mas qualquer uma destas tem vantagens incríveis, sendo a melhor de todas o facto de fazerem conversão (câmbio) automaticamente.

Ou seja, o teu cliente pode pagar-te em Dólares Americanos e tu recebes em Euros.

É fácil para os dois (porque trabalham com a moeda que vos é mais conhecida) e as taxas são baixíssimas comparativamente a uma transferência bancária de um banco tradicional.

Conclusão

Já podes Começar a Abrir Horizontes.

Este artigo não é um passo a passo total sobre como podes começar a trabalhar com clientes estrangeiros, mas acredito que tenha respondido a várias perguntas que tinhas.

Pelo menos tentei basear-me no que mais perguntam quando escrevi tudo isto!

Se tiveres mais dúvidas podes contactar-me por email ou questionar o teu contabilista também.

Se já trabalhas com clientes estrangeiros, deixa o teu testemunho nos comentários ?

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